ARRASO e INDIGNAÇÃO

>> quinta-feira, 22 de outubro de 2009


ARRASO:

Hoje estou arrasada!

Ontem meu marido sofreu um acidente. Graças a Deus ele está bem, não chegou a se ferir, mas foi um baita susto e psicologicamente traumático.

Ele estava dirigindo em uma ponte que passa sobre o Rio Turvo, na BR-153, próximo à divisa com Minas Gerais, e na sua frente seguia um caminhão. De repente a roda traseira desse caminhão se soltou e veio em direção ao automóvel em que estava meu marido e atingiu o lado dele, numa pancada violenta.

Pela Graça Divina, ele estava com um automóvel robusto e pesado, pois estava a trabalho e iria visitar uma obra em outra cidade. Se fosse um carro mais leve, qualquer um, teria sido atirado no rio e meu marido não sabe nadar. Mesmo que soubesse, a porta do lado dele, com a pancada, não abria e fatalmente ele teria se afogado.

Os danos foram imensos. Nem estou falando dos danos materiais, pois embora tenha afetado bastante o automóvel, esse tipo de bem não tem tanta importância, pois do mesmo jeito que vêm, vão... e além do mais tem seguro total, mas isso realmente não importa!

O que mais está incomodando é o psicológico. Pela cabeça passam um milhão de “e se” que insistem em ficar atormentando a tranquilidade da gente.

Essa noite não dormi direito. Sonhei muito com o que aconteceu, acordei umas 3:30 e não consegui dormir mais. Não conseguia parar de pensar em como seria a minha vida se meu marido tivesse partido...

Ficava imaginando o desespero dele ao se ver em cima de uma ponte, um lugar que não dá pra correr pra lado nenhum, nem desviar para o acostamento, e aquele pneu enorme vindo em sua direção... ficava imaginando a pancada e o desespero dele para controlar o automóvel para não bater na grade de proteção da ponte... ficava imaginando como ele estava se sentindo, como foi descer e ver que estava vivo e que nada de grave havia acontecido com ele... não consegui conter as lágrimas.

Gente, esse homem é o grande amor da minha vida! Nossa história é longa e linda, e minha vida perderia muito do sentido sem ele. Só de pensar nisso não consegui mais dormir, chorei muuuuito e até agora fico extremamente emocionada.

Talvez ele nem tenha consciência do tamanho do meu amor por ele e o quanto a vida dele é importante pra mim. Não consigo imaginar os meus dias sem a presença dele, sem sua atenção, seu carinho e, principalmente, seu amor.

Nós ainda temos muitos sonhos para realizar, e o principal é o nosso bebê, que pretendemos fazer ainda este ano, mais tardar comecinho do ano que vem. Pra quem não sabe, perdemos um bebê em janeiro deste ano, eu estava grávida de 6 meses e sofri um aborto espontâneo, mas isso é história longa e muito triste e assunto para um outro post...

(esse texto foi escrito na hora do almoço, mas só agora decidi postar!)


* * * * *


INDIGNAÇÃO:

Hoje o dia não está dos melhores. Quando não durmo bem fico insuportável!

Hoje era um dia que eu queria ficar em casa beeem quietinha, meditar e pensar em tudo o que tem acontecido em minha vida e a minha volta.

Deus tem propósitos divinos em absolutamente tudo o que acontece em nossas vidas, tudo! Inclusive o acidente de ontem teve um propósito, embora a gente ainda não saiba qual é. Conversei com meu marido sobre isso ontem de noite, e ele concorda com essa teoria.

Mas a indignação de hoje é por outro motivo.

Outro dia recebi um e-mail de uma amiga que falava sobre uma mulher que tinha o sonho de ser dona de casa. Ela era extremamente bem sucedida na sua vida profissional, mas não era feliz, pois o que realmente queria, o que realmente a faria feliz seria cuidar da casa, da família e das suas coisinhas.

Ela maldizia quem inventou essa história de mulher ter que trabalhar fora e suspirava pelos bons tempos de nossas avós, que ficavam em casa, cuidando com esmero de suas lindas casinhas, dos filhos e da família e ainda tinham tempo para coisas que as faziam realmente felizes... tinham tempo para cuidar de si mesmas, fazer pratos deliciosos, tomar um delicioso chá da tarde com as amigas, fazer o melhor do artesanato, tipo crochê, tricô, bordado... e, SIM, eram muito felizes!

Naquela época não existia essa loucura desenfreada que vivemos hoje e essa necessidade insaciável de dinheiro, a ponto de fazer uma mulher ter jornada dupla, as vezes até tripla de trabalho... as mulheres de hoje trabalham o dia inteirinho e de noite tem que dar conta dos afazeres domésticos, dos filhos e do marido... afffff, ninguém merece! Quase não sobra tempo para cuidar da beleza, da saúde, e muito menos para fazer as tais coisinhas!

Sem contar que não se ouvia falar de estresse, depressão, toc, síndrome do pânico e tantos outros males que têm afligido a humanidade... eram pessoas muito mais satisfeitas em todos os sentidos!

Euzinha aqui também suspiro por aqueles tempos, ah como suspiro! Não que eu não goste de trabalhar, até gosto, mas eu trabalho desde os 12 anos e isso já faz um booom tempo. Só nesse trabalho que tenho atualmente já estou há 22 longos anos e, graças ao Lula, ainda falta quase 20 anos para eu me aposentar.

Então façam as contas: eu já trabalho há 25 anos (é, estou com 37!) e ainda faltam quase 20 para minha tão sonhada aposentadoria, o que daria um total de 45 ANOS TRABALHADOS!!! Gente, isso não existe! Quem merece uma coisa dessa?!

Tá bom, eu sei que tenho um bom emprego, que me garante estabilidade e que chova ou faça sol meu salário está no banco todo 4º dia útil de cada mês, que tem milhões de pessoas que dariam tudo para estar no meu lugar, que eu tenho que olhar para trás e ver que existem famílias inteiras que sobrevivem com muito menos do que eu ganho, que devo levar minhas mãos para o alto e agradecer a Deus por estar empegada e mais todo esse blá blá blá que todo mundo insiste em me dizer quando estou assim revoltada como hoje... mas dá licença de eu exercer meu direito a ter meus sonhos, frustrações e indignações?!

Gente, eu confesso, sou frustrada e absolutamente infeliz profissionalmente. Trabalho num lugar que não gosto, cercada de pessoas que não me sinto à vontade, um lugar que não consegui me adaptar mesmo depois de 22 anos e todo santo dia penso em abandonar... só que sou muito covarde e não tenho coragem suficiente para isso!

Ahhh como eu queria ter nascido naquela época! Lá pelos anos 20!

Juro que quando eu me aposentar nunca mais quero ver um relógio na frente. Eu detesto essa escravidão das horas, dos compromissos diários! Tô aqui em casa, escrevendo esse desabafo e olhando para o relógio, morrendo de raiva porque já está na hora de ir trabalhar!

Mas fazer o quê, quem mandou nascer pobre e casar três vezes com pobre! (rs) É minha gente, estou no terceiro casamento!!! E como tenho necessidade de continuar trabalhando, fecho os olhos, engulo seco e pé na estrada e seja lá o que Deus quiser!

Mil perdões pelo post enorme e cansativo, mas hoje eu realmente precisava desabafar!

E como tenho visto várias amigas blogueiras pedindo orações e pensamentos positivos, vou engrossar a fila e pedir para que vocês orem por mim, por meu marido e por minha família... vou ficar imensamente agradecida!

Beijo grande.

*

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