DESÍGNIOS DE DEUS

>> segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

(imagem: google imagens)

Não é muito fácil aceitar os desígnios de Deus numa boa, sem questionamentos ou até mesmo sem revoltas, mas o fato é que não há outra alternativa, pois inevitavelmente, mais cedo ou mais tarde, você acabará por compreender que sempre tudo é para seu melhor e que absolutamente nada acontece sem que seja da vontade e conhecimento Dele!

No meu caso, levei alguns meses para aceitar e entender, na verdade me revoltei, me rebelei, sofri, chorei... mas, como disse acima, os desígnios de Deus são perfeitos e nunca vêm sem razão ou sem um propósito maior.

Hoje vou compartilhar com vocês uma estória muito triste... tão triste, ao ponto de eu ter me sentido como se fosse a última das criaturas, ao ponto de blasfemar e achar que Deus tinha se esquecido de mim...



Tudo começou com o grande desejo do meu marido de ser pai. Ele é meu terceiro casamento e com ele não tenho filhos, então, depois de muitos anos evitando, decidimos que havia chegado a hora de termos o nosso bebê e no final de 2007 paramos com os anticoncepcionais. Cerca de 10 meses depois eu já estava começando a desistir, pois pensava que talvez tivesse tomado muito e não conseguiria mais engravidar...


Um belo dia acordei com um “pressentimento” e, sem mais nem menos, decidi que faria um teste de gravidez, pois queria pintar os cabelos, mas não sem antes ter certeza de não estar grávida. Fui até o laboratório, colhi o sangue e mais ou menos 2 horas depois eu me deparei com um POSITIVO enorme nas mãos.


Gente, eu tremia e não sabia se ria ou chorava, de emoção, claro! Imediatamente tirei uma foto do resultado com o meu celular e mandei para meu marido e em seguida liguei para contar a novidade... parecíamos duas crianças, não sei quem ficou mais feliz ou mais bobão, só sei que a notícia encheu nossos corações de felicidade.


A felicidade na família foi indescritível pois, meu marido não tem filhos, então nosso bebê seria o primeiro filho, o primeiro neto, o primeiro bisneto, o primeiro sobrinho, o primeiro tudo naquela casa... imaginem só a felicidade!


E assim os dias e meses foram passando... até que chegou o momento de fazermos um ultrassom para vermos o sexo do nosso bebê. Eu estava grávida de 24 semanas.


No horário marcado fomos a família inteira para a clínica. O médico me mandou deitar na maca e quando ele passou o gel gelado eu pedi para ele fuçar bastante, pois não sairíamos dali sem saber o sexo do bebê... ele apenas sorriu e fixou o olhar na tela.


Pela tela já dava pra ver que alguma coisa estava errada e eu percebi que meu médico estava nervoso e sem saber exatamente como falar o que tinha que ser dito... daí eu perguntei se estava tudo bem e ele me olhou fixamente nos olhos e me disse:


“Não há batimentos cardíacos, nem movimentos fetais...”.


Não precisou dizer mais nada, comecei a chorar convulsivamente e entrei em desespero. Então ele me encaminhou à sala de exames, onde me examinou minuciosamente e depois nos chamou a todos para conversar no consultório.


Lá ele explicou que meu bebê estava morto e não havia como precisar há quanto tempo. Disse que eu tinha duas opções, a primeira seria o uso de medicamentos para expelir o feto e a segunda seria uma cesariana.


Os medicamentos são horríveis, causam dores insuportáveis e pode levar dias até o feto ser expelido, o que significa que eu poderia ficar sentindo dores por mais de uma semana e ainda não dar certo e ainda ter que fazer a cesariana.


O problema da cesariana seria que, se o feto já estivesse morto há muitos dias, poderia já estar se decompondo e estar grudado na parede do útero, o que poderia gerar complicações gravíssimas a até me tornar incapaz de engravidar novamente.


Independentemente disso, imediatamente decidimos pela cesariana, para evitar tamanho sofrimento e, então, meu médico marcou para o dia seguinte, sábado 24/01/09, ao meio-dia.


Fui para casa inconsolável, nada me fazia parar de chorar. Fui tomar banho e olhava para minha barriga, que já estava enorme, e me dava um desespero tão grande em pensar que meu bebê estava ali dentro, mas estava morto!


O banho era “nosso momento”, somente eu e meu bebê, e eu acariciava minha barriga, cantava, conversava, contava os acontecimentos do dia... então imaginem como eu fiquei...


Passei a noite em claro, embora meu médico tenha me dado alguns tranqüilizantes, mas não resolveu. Fui para o hospital no dia seguinte parecendo um zumbi... não tinha mais lágrimas, já tinha chorado todas elas...


Meio-dia fui para a sala de parto. Além de inconsolável, eu estava em pânico! Morria de medo de não voltar da cirurgia, estava apavorada e não conseguia parar de tremer e chorar, mas Deus, na sua infinita misericórdia e amor, me mandou naquele momento um anjo. Aí tinha início a parte boa dos Seus desígnios...


O nome dela é Lívia e é a anestesista que, naquele momento de desespero, veio até perto de mim, passou as mãos em meus cabelos e tentou me consolar com palavras doces e carinhosas, dizendo que todos ali também estavam emocionados e que a situação era difícil para eles também, pois o gratificante nessa profissão e ver a vida e não a morte, mas que a morte também faz parte da vida e que temos que tentar entender os desígnios de Deus...


Nesse momento eu adormeci e só voltei a acordar quando meu médico estava arrematando o último ponto e eu o ouvi dizer que estava terminado e tinha sido tudo ótimo. Quando ele percebeu que eu havia acordado, veio falar comigo e disse que a cirurgia havia sido um sucesso, que o corte do útero foi perfeito e ele conseguiu tirar a placenta inteirinha, com o feto dentro, que também estava inteirinho. Ele me perguntou se eu queria ver e eu disse que não, mas que gostaria de saber o sexo... era uma menina!


Ele também me explicou que o que aconteceu comigo e com minha gestação foi um caso raro, aproximadamente 1 caso em 1000 gestações. Meu cordão umbilical era enorme, muito maior do que o normal, e foi enrolando nele mesmo, como se fosse um fio de telefone, e acabou fazendo vários nós, o que impediu o fluxo de oxigênio e alimento para meu bebê.


Fui para o quarto e a recuperação foi fantástica. Naquela mesma noite já me levantei, tomei banho sozinha e comi sopa. Só que ainda não conseguia parar de chorar, meu coração estava em pedaços, pois uma cesariana só vale a pena quando se tem o seu bebê nos braços... e eu estava ali, com dores, sofrendo e de mãos vazias!


Depois que fui pra casa, caí numa apatia total. Não saia da cama para nada, não queria conversar, ver TV, receber visitas, nada... só queria ficar ali, quieta e sozinha, e mais nada.


Não conseguia me conformar com o acontecido. Tantas mães abandonando seus bebês e o meu, que era tão amado e esperado, ter que morrer assim, ainda dentro do útero... me revoltei, blasfemei, fique “de mal” de Deus, pois não conseguia entender como Ele tinha coragem de fazer uma coisa dessas com um bebezinho indefeso e com meu marido, que não merecia perder seu bebê tão amado... enfim, não conseguia enxergar os desígnios de Deus com tanta dor no meu coração.


Fiquei dias e dias assim, até que caí na real e resolvi reagir. Levantei, chacoalhei a poeira, dei a volta por cima e comecei a ter longas e sérias “conversas” com Deus e só assim comecei a entender Seus desígnios e que devemos aceitar Sua vontade, pois tudo está absolutamente correto do jeito que está e não cai uma folha da árvore sem que seja da Sua vontade.


Fiz as pazes com Deus e comigo mesma e hoje estou me preparando para uma nova gravidez. Quase um ano se passou e agora achamos que já está na hora, pois já passou o prazo determinado pelo meu médico, que era de 10 meses.


Dia 05/12 foi o último comprimido de anticoncepcional que tomei e a partir de agora é só aguardar os próximos períodos férteis, treinar bastante (rs) e aguardar o resultado.


Sei que Deus está do nosso lado, já tivemos inúmeras provas disso. Aguardo Nele os acontecimentos futuros e, mais uma vez, que seja feita a Sua vontade!


Torçam por nós, meus queridos amigos, e assim que tiver novidades sobre este assunto, venho correndo contar para vocês tá!


E, para finalizar, uma perguntinha: como você encara esse assunto? você crê e confia nos Desígnios de Deus em sua vida?


Beijo bem grandão,


=]

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